Referência do mês: Eng. Metal. Raimundo Barroso

Publicado em: 22 de abril de 2021

No mês em que celebramos o Dia do Engenheiro Metalurgista (10), o Crea-MA faz homenagem a todos os engenheiros desta área contando um pouco a trajetória de um apaixonado por Metalurgia.

Maranhense, de Vargem Grande, Raimundo Barroso cursava o quarto período de Engenharia Civil, em São Luís, em 1973, quando resolveu apostar que o futuro estaria no tripé Ferrovia-Energia-Metalurgia.

Sua turma de Civil ficou sabendo que a Universidade Federal Fluminense – UFF estava aceitando alunos de outras engenharias para o curso de Engenharia Metalúrgica e ele, que nem sabia o que era Metalurgia e nem conhecia a cidade de Volta Redonda (RJ), a três mil km de distância da capital maranhense, onde fica a Escola de Engenharia Metalúrgica da UFF, não hesitou em trocar seu curso em nome do futuro.

De toda a turma de Civil, somente ele e mais três abraçaram de início o desafio. Em 1975, já estava formado em Metalurgia. “Até hoje eu fico atento aos cavalos selados que passam para não perder oportunidades”, diz ele. Só não contava que fosse gostar tanto da área. Fez pós-graduação em Avaliação Institucional (DF) e em Metalurgia em Alumínio (EUA), Mestrado em Metalurgia Extrativa (MG); Doutorado em Educação Científica em Havana (Cuba) e Pós-Doutorado em Aveiro (Portugal). No período de 17 anos, trabalhou na Usiminas, na Albras e na Alcoa-Alumar, e por 26 anos foi professor de Engenharia Mecânica no CEFET-MA/IFMA.

Ele lembra da influência de dois professores do Mestrado, para seu despertar na área da educação. Um professor vindo do Canadá, que lecionava Termodinâmica Metalúrgica e um indiano, que foi seu orientador no Mestrado, e que lhe apresentou “Fenômenos de Transporte” envolvendo fluidos, calor e massa. “É fascinante compararmos a água escoando no rio, com os metais fundidos (líquidos) escoando nos processos. Se tocarmos a água, ela está fria; já os metais, estarão com altas temperaturas, trocando calor, solidificando e ocorrendo difusão de massa. Ou seja, os três fenômenos acontecendo ao mesmo tempo”, explica.

O engenheiro metalurgista pode trabalhar também em beneficiamento dos minérios, metalurgia extrativa, fundição, metalurgia de transformação em produtos, como automóveis, eletrodomésticos, na eletroquímica, entre outros. “Qualquer pessoa se apaixonaria por Metalurgia”, diz ele, justificando que a Metalurgia está em todos os lugares, seja nos ferrosos ou nos metais não-ferrosos, como alumínio, cobre, zinco, magnésio, etc.  “Para cada metal desse é uma indústria potencial”, empolga-se.

Ele também é otimista com relação às reservas de metais nobres e estratégicos a exemplo do Nióbio existente na região da Amazônia Legal. “Menos de 1% de Nióbio na composição dos aços, é necessário para elevar a qualidade do mesmo, melhorando suas propriedades, como aumentando a resistência. E 98% das reservas do Nióbio do mundo estão no Brasil. Ou seja, temos uma riqueza valiosíssima e de grande interesse das indústrias”, diz.