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Pandemia de Covid-19: O papel da Engenharia na saúde e segurança da sociedade

Publicado: 17/01/2022 09:01 - Fonte: Assessoria de Comunicação CREA-MA


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O Hospital é o lugar que as pessoas procuram saúde. A revolução na medicina veio através de modernos equipamentos onde saímos da eletrônica analógica para a digital, e agora para integração entre eletrônica e computação, a era dos sistemas embarcados. Assim, temos agora esses sistemas e camadas de software com gerência local e remota, desde a camada física até a de aplicação, envolvendo aí as Engenharias Eletrônica, de Computação e de Software, todas pertencentes ao Grupo Engenharia Modalidade Eletricistas. A gestão técnica das facilidades toma importância nos hospitais e agora a agenda da manutenção não deve atenção apenas as instalações elétricas e lógicas, geradores e subestação de energia, mas também sistemas de ar-condicionado, elevadores para deslocamento dos pacientes, sistemas de gás medicinal, equipamentos eletromédicos, mostrando-se claramente também atividades privativas dos Engenheiros Eletricistas e Mecânicos. Assim a engenharia não está presente apenas no projeto e fabricação de equipamentos eletromédicos, mas também em toda estrutura hospitalar que proporciona seu pleno funcionamento operacional.  

No início dos anos 90 com apoio do Ministério da Saúde foram criados cursos de especialização, além da organização de vários eventos no Brasil com intuito de apresentar aos gestores de saúde a existência de um novo profissional, o engenheiro clínico. Atualmente diversos hospitais incluindo os de grande porte no país tem departamentos de engenharia clínica. Os Engenheiros Especialistas em Engenharia Clínica são profissionais que garantem a segurança, eficácia e disponibilidade de tecnologia de saúde que salva vidas. É um membro essencial da equipe de assistência médica, gerenciando as manutenções, coordenando as equipes técnicas e utilizando a tecnologia de saúde, trabalhando junto com profissionais da saúde e pacientes, para garantir os mais altos padrões e melhores práticas em segurança, proteção, interoperabilidade e funcionalidade dos equipamentos da saúde. Assim como o Engenheiro de Segurança que é responsável pela segurança dos profissionais, o Engenheiro especialista em Engenharia Clínica tem formação com foco no   uso com segurança do equipamento de saúde em ambientes específicos da saúde e gestão técnica das facilidades e equipamentos eletromédicos, tendo, pois, uma participação direta na segurança do paciente.  Assim temos a demanda de um especialista cuja  funções  sejam a  participação  no  planejamento  de  compras  de  tecnologia  em  saúde,  avaliação  de infraestrutura  para  suportar  a  operacionalização  dos  equipamentos  de  saúde  para garantir que atendam às necessidades das práticas assistenciais e a participação efetiva no treinamento e educação de pessoal técnico e médico durante todo  o  ciclo  de  vida  do  produto  de  saúde,  para  garantir  equipamentos  seguros  e eficazes, além de cumprir a função de promover a difusão das tecnologias em saúde a sua otimização.

A Engenharia proporcionou um avanço sem precedentes na medicina, a Engenharia Eletrônica avançou tanto que levou ao surgimento da Engenharia Biomédica. A eletrônica e computação deixaram de convergir e passaram a se integrar nos Sistemas Embarcados. Os equipamentos eletromédicos agora são sistemas embutidos em microprocessadores ou microcontroladores com finalidade de auxílio ao médico no diagnóstico, tratamento ou no monitoramento de seus pacientes.  Como exemplo de um equipamento em tempos de pandemia da Covid-19 teve papel fundamental como equipamento de suporte a vida são os equipamentos de ventilação mecânica que substituem, total ou parcialmente, a ventilação espontânea em pacientes com insuficiência respiratória decorrente de diversas patologias, sejam elas aguda ou crônica, que ficaram bem conhecidos atualmente no tratamento de pacientes com Covid-19. Além dos componentes básicos a qualquer ventilador, como misturador de gases, válvulas reguladoras de pressão, umidificador e filtro de bactérias, há acessórios que, nas versões mais modernas, fazem toda a diferença para um adequado suporte respiratório. Sistemas de controle do modo ventilatório, por exemplo, permitem às equipes médicas acompanhar permanentemente as respostas do organismo à ventilação, por meio do monitoramento de indicadores como pressão, volume corrente, frequência respiratória, relação entre tempo inspiratório e tempo expiratório, limite de pressão e sensibilidade. Sistemas de alarmes também são importantes, pois caso haja problemas durante a operação do equipamento, o alarme permite uma tomada de ação rápida e efetiva, prevenindo que o paciente e sua saúde sejam afetados por uma falha operacional ou mesmo humana. Quanto maior a segurança oferecida por um ventilador e quanto mais fácil o seu manuseio e aplicação, mais os pacientes saem ganhando para que recuperem um quadro de saúde estável e para que os objetivos médicos sejam alcançados.

O CONFEA deliberou em 2019 a fiscalização nacional de todos os hospitais no Brasil com vista a uma ação preventiva para que tragédias como a do Hospital Badim. que causou a morte de 17 pessoas (Incêndio Hospital Badim, G1 Rio de Janeiro, 29/10/2020), sejam evitadas. Entretanto o grande questionamento do leitor deve ser, se temos o Sistema CONFEA CREA para fiscalizar o exercício profissional na Engenharia por quê os acidentes nos hospitais acontecem? A sociedade deve fazer uma reflexão sobre sua contribuição individual em cada um desses acidentes, em especial os gestores hospitalares, pois ações individuais estão gerando danos coletivos como, por exemplo, choques elétricos e incêndios. A resposta a essa pergunta é que não adianta normas, não adianta fiscalização, em suma nada disso adianta se não compreendermos  os riscos da Engenharia e a necessidade de se cumprir as leis e normas vigentes que regulam tanto o exercício profissional quanto os procedimentos na Engenharia,  nesse caso cabe uma reflexão aos gestores dos hospitais sobre a sua responsabilidade para com seus pacientes e a sociedade e sempre nas atividades da Engenharia contratar empresas com registro no CREA e profissionais devidamente registrados e habilitados, afinal a segurança deve ser prioridade e com ela se garante a prevenção dos acidentes, assim garantir-se-á não somente a saúde mas também a segurança da sociedade!

 

Texto Publicado no Jornal O Imparcial edição (15 e 16 de janeiro de 2022):

Por Rogerio Moreira Lima, Eng. Eletric., Dr. em Telecomunicações, Coordenador Nacional da C.C.E.E.E./ CONFEA

Wesley Costa de Assis, Eng. Mec., Mestrando em Engenharia da Computação PECS/UEMA, Superintendente de Fiscalização CREA-MA.