Por Rachid Sauaia
Crea-MA
A peculiar condição climática do Nordeste brasileiro, sobretudo a da zona semi-árida, estabeleceu nesta vasta área de caatingas uma civilização em constante luta pela sobrevivência, buscando transpor os obstáculos em busca de uma vida melhor. Nesse panorama é que surgiu o Dnocs – Departamento Nacional de Obras contra a Seca, e que se localiza nos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia.
Porém, alguns perímetros localizados em funcionamento sobre a responsabilidade do órgão, passam por sérias dificuldades no que diz respeito às áreas irrigadas. Um deles é o do município de São Bernardo, na região do baixo Parnaíba, leste maranhense, distante 260 km da capital, São Luís. A realidade da localidade sensibilizou o Crea-MA, na figura do seu presidente, Raymundo Portelada.
O que existe na realidade, não somente no município de São Bernardo, mas como uma constante na maioria dessas áreas, visão compartilhada pelo Crea-MA e pela Fapid - Federação de Apoio as Organizações de Produtores de Perímetros Públicos de Irrigação, é que o Governo Federal, principalmente, não tem voltado toda a sua atenção para a construção de novos projetos, em detrimento à gestão de toda a infraestrutura já instalada. Além disso, não se tem hoje, assistência técnica, regularização fundiária e apoio a gestão, só para citar alguns exemplos de compromissos firmados pelo próprio governo: “Falta apoio institucional do Dnocs e do governo nas três esferas, federal, estadual e municipal”- afirmou Portelada.
Especificamente no perímetro irrigado no município de São Bernardo, a partir de estudos, foram detectadas como principais problemáticas: falta de titularização dos lotes dos pequenos produtores, falta de licitação dos lotes das áreas disponíveis, invasão das áreas irrigáveis, insuficiência de recursos para o custeio operacional e na operacionalização dos planos de trabalho, falta de acesso aos meios de comunicação, garantias reais para obtenção de financiamento e de garantia na oferta de água para as áreas entregues e em implantação, elevados custos de demanda nas estações de bombeamentos, baixa eficiência no sistema de filtragem de água, além de pendências na conclusão das obras.
“O Crea-MA continuará com sua missão de proteger a sociedade maranhense e vai cobrar das autoridades competentes para que esses problemas detectados nessa região dos tabuleiros de São Bernardo sejam equacionados o mais rápido possível e com qualidade”, finalizou, Raymundo Portelada, esclarecendo que o município de São Bernardo tem uma produção razoável de banana e melancia, mas sem nenhuma assistência de um profissional da agronomia.